de novo as palavras no espaço minúsculo do não dito. de novo. a barriga ronca, mas não é de fome. o espaço apertou, ardeu, e então vazou, como de costume.
tenho notado o meu nariz mais parecido com o do meu pai, que é igual ao do meu avô e que juntos comigo formam a santíssima trindade dos enclausurados dentro de si mesmo, mas eu sou mulher, eu preciso arrancar as estranhas pra fora.
eu gosto muito de vinho e cerveja mas agora essa merda tem me caído mal. é, parece que a única saída é mesmo para dentro da vida. ainda bem.
estômago frágil,
coração baqueado,
tá nas mãos de Deus.
adotei um cachorro filhote e a responsabilidade me acorda de madrugada. isso não tem nada a ver com amor ou talvez tenha. só sei que foi nessa coisa de abraçar o plural que eu confessei um pecado, cometi outro erro ridículo e depois mergulhei fundo em um mar que sempre me coube – mesmo na tragédia.
é que eu queria ser mais segura, me masturbar mais, queria gostar de cigarros, eu quero tanta coisa, mas aqui estou eu,
viva,
e pretendo continuar.
a mulher de vermelho me trouxe um recado, eu te disse, e assim como eu você também se perdeu. o tempo não traz só as rugas, traz também o sentido.
qual é a sua maior dúvida?
ouvir bethania conserta tudo aqui dentro. ouvir bethania me atropela repetidas vezes até que o meu corpo, os pedaços e o sangue se espalhem como mercúrio.
a minha maior desgraça foi queimar até virar cinzas e o triunfo foi destruir você. eu não sou pouca merda, nunca fui, ando tão rápido como falo e penso, mas amar pra mim, não tem nada a ver com rapidez, porque eu não sou carro e você também não.